Lorena segurou-a rapidamente.
— O que aconteceu? — Kristen pergunta.
— Ela desmaiou. — Lorena responde.
— Nem se preocupe Kristen, isso está acontecendo muito ultimamente. — Diz Robert.
— Acho que fui eu que causei tudo isso, quero ir embora Robert. — Kristen reclama.
— Não, que é isso Kristen. — Robert diz.
— Não, eu já vou, nos vemos na empresa. — Diz ela saindo rapidamente.
— Não, não vá Kristen! — Robert reclama.
— Não, eu já causei confusão demais.
— Tá, então nos vemos na empresa. — Se despede Robert.
Lorena colocou Lílian em uma cadeira enquanto Robert se despedia da Kristen.
— Eh Lílian, seu pai ficou furioso. — Diz Lorena indo pegar um copo d'água.
— Vamos, acorde! — Ela disse jogando água no rosto dela.
— Ah, ah, que água gelada! — Lílian diz, acordando do desmaio.
— Cadê ela, cadê? — Perguntou Lílian levantando-se.
— Ela foi, não é? E a culpa é sua! — Gritou Robert.
— Minha? Você beijou aquela perua! — Lílian acusou-o.
— Olha aqui, não fala mal assim dela! Que culpa ela tem?
— Culpa, ela tem toda a culpa! É uma exibida, uma safada!
— Eu já disse para não falar mal assim dela!
— Lílian, minha mãe me mandou uma mensagem no celular, tenho que ir.
— Tchau Lorena. — Lílian diz.
— Tchau Sr. Robert.
— Tchau Lorena, até mais.
— Amanhã a gente conversa na escola.
— Tá. — Se despede Lílian.
Assim que Lorena sai Lílian diz:
— Viu! Ela ficou com vergonha de nos ver discutindo!
— Claro, você que começou! — Robert diz.
— Eu não quero ouvir mais nada vou para o meu quarto. — E saiu apressada em direção ao seu quarto.
"Como ele pode? Como ele teve coragem? Só faz três semanas que minha mãe morreu! Três semanas! Se fosse três meses, ainda dava para entender... Todos os momentos que ele passou com minha mãe; dezessete anos, isso não significou nada para ele? Ele está muito estranho, não sei o porquê, mas está. Ele parece não estar em si, parece estar em outro mundo..."
* * *
Lílian passou à tarde inteira trancada em seu quarto sem falar com seu pai. Ficou pensando em Kristen Morgan. Tinha uma forte impressão de que já a vira em algum lugar. Lembrou do frio que tinha sentido ao apertar a mão dela. Kristen Morgan, além de ser uma exibida, era falsa. Lílian percebeu isso quando estavam almoçando.
Depois que seu pai foi trabalhar, Lílian ficou testando seus poderes. Tinha melhorado bastante sua concentração, conseguia se concentrar ouvindo barulhos e ruídos. Começara a levitar, conseguia se erguer no ar alguns centímetros e voar pela casa, quebrara um vaso de flor e caíra sentada no chão.
— Como vou treinar, se não tem espaço aqui em casa! — Resmungara ao limpar o chão cheio de cacos de vidro.
Nesse instante a mente de Lílian se iluminou.
— Como não pensei nisso antes! Posso voar na rua, mas tem que ser de noite, de madrugada, a hora que todos estão dormindo!
Então Lílian mandou uma mensagem para Lorena:
"Vou sair de madrugada para voar, o que acha?
Cuidando para ninguém te ver, é uma boa ideia! — Responde Lorena.
Posso passar na rua da sua casa, consegue ficar acordada até às duas e meia da madrugada? — Lílian pergunta.
Não consigo, mas posso dormir mais cedo, daí coloco o celular para despertar duas e meia e acordo. — Responde Lorena.
Boa ideia! Como não pensei nisso! Assim que meu pai chegar, eu invento uma desculpa para ir dormir. — Escreve Lílian.
Vocês brigaram muito depois que eu fui embora? — Lorena pergunta.
Não, eu fui para o meu quarto. — Responde Lílian.
Pelo jeito seu pai está gostando dela?
Parece que sim, mas o que eu posso fazer?
Sei lá. Mas se ele gosta dela, vai fazer o quê?
Pois é. Só resta esperar. — Responde Lílian finalizando a conversa."
* * *
— Pai, estou com dor de garganta, vou dormir! — Disse Lílian quando seu pai chegou da empresa.
— Boa noite. — Foi só o que Robert disse.
Lílian foi para o quarto pensando em como iria dormir se não estava com sono.
Lembrou-se da canção que sua mãe cantava para ela, quando era pequena. Sua mãe tinha uma voz tão linda. Parecia um anjo quando cantava, o som da sua voz era tão suave, que nem bem ela começava a cantar, Lílian já adormecia.
Colocou o celular para despertar às duas da madrugada e adormeceu pensando na canção de sua mãe.
* * *
Quando o celular despertou, Lílian acordou assustada. Lembrou que iria voar e levantou com cuidado para que seu pai não acordar.
Vestiu uma capa para sair. O vento, batia suave em seu rosto. Lílian observou a rua, estava vazia, Lílian estava sozinha.
Por um momento Lílian pensou que o que ia fazer era irreal, como uma fantasia de criança.
Então lembrou dos sonhos que tinha quando criança. "Ela voava de mãos dadas com sua mãe." Não eram sonhos, era real. Lílian já tinha voado com sua mãe!
Nesse momento, sentiu uma felicidade tão grande, que tirou os pés do chão e voou.
Lílian começou a subir. Seus cabelos voavam com o vento. Não voava muito rápido nem muito devagar, voava suavemente. Quando chegou na rua da casa de Lorena diminuiu um pouco a velocidade.
Quando Lorena, que espiava pela cortina da sala, a viu, ficou espantada, acenou para Lílian, que retribuiu o aceno.
Quando Lílian se afastou da casa de Lorena, que ainda estava espantada, Lorena o viu. Um garoto mais ou menos da idade delas estava espiando, do outro lado da rua, pela cortina também. Quando o garoto viu Lorena, se escondeu atrás da cortina e não apareceu mais.
Lílian chegou em casa, abriu a porta com cuidado, fechou a porta. Passou pelo quarto de seu pai que roncava alto. Entrou em seu quarto, deitou na cama e falou baixinho:
— Consegui!... — Lílian ficou pensando como foi bom ter voado sozinha, ter voado novamente, e adormeceu.
* * *
— Melhorou da garganta? — Perguntou Robert quando Lílian entrou na cozinha para tomar café.
— Sim, sim. — Respondeu Lílian.
Lílian tomou o café sossegadamente, depois se arrumou para ir à escola. Quando saiu disse: " Tchau pai, bom serviço". — Esquecendo da discussão do dia anterior.
Quando chegou na escola, Lorena veio correndo ao seu encontro.
— Oi! — Disse Lílian.
— Oi, você estava fantástica! Mas...
— Mas o quê? — Lílian perguntou aflita
— Um garoto mais ou menos da nossa idade, viu você voando! — Lorena respondeu rapidamente.
— O QUÊ?! ! ! — Lílian gritou.
— UM ESPIÃO AGORA ERA A ÚLTIMA COISA QUE ME FALTAVA!